O Papa Francisco tem sangue nas mãos

 

“Nós afundamos tanto que a reafirmação do óbvio agora é o primeiro dever dos homens inteligentes” – Eric Arthur Blair (George Orwell)

Em um de seus deliciosos ataques à nossa tendência em enaltecer a aparência da coisa e ignorar a coisa em si, H.L. Mecken destacou que a maioria das pessoas se impressiona facilmente com sinais exteriores de superioridade (moral):

“Talvez a qualidade mais valiosa que qualquer homem pode ter neste mundo seja um ar naturalmente superior […] A estupidez e a covardia congênitas dos homens fazem com que eles se curvem a qualquer líder que surja, e o sinal de liderança que reconhecem mais de pronto é aquele que se mostra externamente” (“O Livro dos Insultos”)

O Papa Francisco é a personificação deste tipo de liderança que precisa desesperadamente da imagem de superioridade para legitimar sua autoridade e suas ideias estúpidas.

Desde sua chegada ao Vaticano, Francisco trabalha intensamente para transmitir uma imagem de absoluta humildade. Trata-se de um Papa que se importa mais em expor seus sentimentos em Praça pública do que zelar pela doutrina de sua Igreja.

Francisco não dispensa gestos teatrais como lavar pés de refugiados e muçulmanos, desde que cercado pela imprensa mundial. Ele também lavou os pés de detentos em Roma, com direito à transmissão ao vivo pela imprensa do Vaticano.

Obcecado que é em parecer moralmente superior, Francisco está sempre disposto a alfinetar o presidente americano e expressar seu amor desmedido por imigrantes – embora só o que ele faça por eles seja lavar os seus pés nas frentes das câmeras.

É o tipo de “humildade” tão espetacular, tão midiática e desequilibrada que, parafraseando o grande Jello Biafra, “atinge o nível da mais profunda soberba”.

Por trás da embalagem de humildade franciscana e de interesse pelo próximo, existe um líder que decidiu se calar diante do massacre que vive o povo venezuelano e ignorar a recente perseguição iniciada por Evo Morales contra os cristãos da Bolívia.

O silêncio ensurdecedor do “amoroso” Papa Francisco diante das atrocidades cometidas contra cristãos na América Latina é uma absoluta vergonha. Mas a dura verdade é que Francisco já está muito além do ponto da simples negligência.

Ele se recusou a ter uma relação meramente protocolar com tais chefes de Estado, apesar do histórico deles, e se esforçou para estender a eles amizade e apoio ostensivo.

Ao ignorar o martírio dos cristãos venezuelanos e silenciar diante da escalada de perseguição religiosa na Bolívia, e ao se juntar à Evo e Maduro na crítica ao capitalismo, Francisco tem um papel ativo na legitimação de tais regimes.

Não é apenas negligência. Francisco oferece, desde que chegou ao Vaticano, apoio tácito aos regimes políticos que assassinam e escravizam pessoas em pleno século 21.

Maduro “faz progredir solidariedade e convivência pacífica”

Não é novidade que Francisco é um entusiasta de formas tropicais de socialismo e qualquer coisa que soe anticapitalista aos seus ouvidos seletivos. Ele jamais cobrou Nícolas Maduro pelo assassinato e prisão de dissidentes, estudantes e religiosos.

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Francisco jamais teve pudor em expressar seu afeto pelo ditador da Venezuela.

Em uma viagem ao Equador, ele teve a ousadia e o cinismo de declarar:

“Ao sobrevoar o território venezuelano para dar início a minha visita pastoral ao Equador, Bolívia e Paraguai, de bom grado envio uma cordial saudação a Vossa Excelência, [Maduro] manifestando meu afeto e proximidade ao povo venezuelano, no momento em que peço ao Senhor abundantes graças que o ajudem a progredir cada vez mais na solidariedade e na convivência pacífica.”

Em 2014 a jovem católica Génesis Carmona, de 22 anos, que havia sido eleita Miss Turismo de seu estado, Carabobo, foi assassinada com um tiro na cabeça durante um protesto contra a ditadura de Nicolas Maduro.

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Em 2015 um menino de apenas 14 anos, chamado Kluiver Roa, foi covardemente executado durante um protesto contra Maduro em San Cristobal. Do Papa Francisco, a família não recebeu uma única palavra de solidariedade ou manifestação de luto.

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Francisco apenas pediu “o fim dos confrontos”, ignorando que o causador da violência contra estudantes e dissidentes é seu amigo Nicolas Maduro.

No ano passado diante da fome epidêmica e da perseguição aos dissidentes, com assassinatos de estudantes e trabalhadores, os cristãos venezuelanos passaram a se manifestar, promovendo reuniões públicas de orações em Caracas.

Nenhuma solidariedade receberam do Papa Francisco, que está sempre mais preocupado em criticar o presidente democraticamente eleito dos EUA.

A execução recente de Oscar Péres tampouco abalou o Papa Francisco, que esteve nesta semana no Chile, mas não disse absolutamente nada sobre a violência na Venezuela, preferindo criticar a já encerrada ditadura de Pinochet!

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Francisco prefere falar genericamente sobre “vítimas da fome” no mundo a enfrentar as atrocidades cometidas pelos seus amigos ditadores.

Silêncio diante da Igreja Perseguida na Bolívia

Francisco adora criticar a economia de mercado, mas nada diz sobre a fome que castiga o povo venezuelano, chegando a afirmar asneiras colossais, incluindo que a economia “precisa de uma alma” e que a riqueza “destrói milhões de famílias no mundo”.

Enquanto isso na Bolívia, sem o apoio de Francisco, católicos e evangélicos se unem para protestar contra o Novo Código de Sistema Criminal criminaliza a evangelização no País, cerceia liberdades religiosas e permite a censura dos meios de comunicação.

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As lideranças católicas da Bolívia estão arriscando suas vidas ao denunciar o autoritarismo de Evo Morales, mas ainda assim só o que recebem do Vaticano é o mais profundo silêncio. O arcebispo de Santa Cruz, Sergio Gualberti, é uma dessas lideranças:

O arcebispo fez um sermão que está obtendo grande repercussão, sendo considerado a mensagem mais dura vinda de um líder cristão contra o presidente. Ele denunciou a tentativa de Morales se perpetuar no poder, uma vez que conseguiu mudar a Constituição e vai para seu quarto mandato consecutivo.

A frase de “Com este sistema, a única coisa que conseguirá será a paz dos cemitérios”, causou grande comoção entre os bolivianos.  O arcebispo disse ainda: “Hoje, em nosso país, ignorando o clamor do povo, tentam impor um sistema que lhes permite perpetuarem-se no poder, que limita as liberdades, abre caminho à perseguição da oposição e favorece a impunidade da corrupção daqueles que estão no governo”.

O Papa Francisco já aceitou de Morales um crucifixo em forma do símbolo comunista da foice e martelo. Disse, na época, que o fez para manter o diálogo aberto.

Este seria o momento de fazer uso de toda a amizade que ele se esforçou em nutrir junto aos ditadores latino-americanos. Mas Francisco continua com seu silêncio ensurdecedor.

E, ainda assim, ele recebe apoio de multidões de alienados e imbecis do mundo todo.

Basta Francisco sacar do bolso alguma platitude e discorrer sobre ideais analgésicos da transcendência, da fraternidade universal ou do bem comum. E a imprensa repercute tais trivialidades como um ato de coragem contra os poderosos do mundo…

A verdade, contudo, é que Francisco tem sangue nas mãos.

 

 

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Não é a gravata, estúpido!

“Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultas. Critico-as. É tão incomum isso na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. É crítica” – Paulo Francis

O meu artigo “Conservadores-de-gravatinha-borboleta desprezam o conservadorismo do populacho” acabou reduzido à provocação bem humorada do seu título, sendo o ponto crucial solenemente ignorado por entusiastas e detratores da imagem que esculpi.

Como tentei deixar claro, a gravata borboleta é apenas um dado semiótico, um totem como qualquer outro identificável em qualquer cultura ou subcultura e que, neste caso, me serviu de material para provocar a imaginação e as risadas do leitor.

Jamais poderia imaginar que conservadores de boa estirpe, crescidos e bem alinhados, ficariam tão incomodados com a piada. Mas ficaram.

E eu fiquei surpreso com a sensibilidade desencadeada a partir de uma simples piada.

Foi surpreendente ver em ação, mais uma vez, o senso tribal daqueles sujeitos tão civilizados que vivem a condenar a histeria do resto do mundo.

Rodrigo Constantino foi um dos que saíram em socorro dos conservadores de boa estirpe, que sangravam em praça pública, após horrendos “ataques” com piadas!

Constantino sempre condenou a patrulha politicamente correta, mas diante da piada sobre a gravata borboleta agiu como um esquerdista sem um pingo de humor.

‏(Nota mental: não fazer mais piadas com feministas gordas e nem com conservadores de gravata borboleta. A histeria é a mesma e, no final das contas, todos acabam correndo para um safe space mental, ignorando o que pode haver de relevante na mensagem transmitida, aturdidos com as piadas de espíritos xucros como eu.)

Asséptico, insosso e irrelevante

A crítica central do artigo foi sobre um tipo de “intelectual conservador” que reduz o conservadorismo à um simples objeto de estudo, desprezando, do alto de sua torre de marfim, manifestações espontâneas e adesões populares à pauta conservadora.

Apesar do deboche na qual foi embalada, a minha crítica foi séria: o típico “intelectual conservador” brasileiro tem promovido um conservadorismo asséptico, teórico, abstrato, insosso, irrelevante e até mesmo ideologizado.

O seu pecado capital é o academicismo no qual se abriga para manter suas vestes puras e intocadas, e seu conservadorismo abstrato sempre ilibado.

Ao viver nesta bolha, o scholar permanece protegido da turba lá fora.  O scholar não precisa se irmanar ao homem comum, assumindo todos os riscos que isso implica.

Ou, como famosamente disse Alex Catharino, “lutem, eu não posso”.

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O intelectual conservador não pode “lutar” ao lado do homem comum, se quiser se manter puro e intocável. Confira aqui: https://goo.gl/Yfbku9

Nossos típicos intelectuais conservadores pretendem fazer da tradição britânica de conservadorismo o modelo máximo e universal de conservadorismo.

E, de maneira consciente ou não, acabam por ignorar que a cultura brasileira foi forjada em outras bases, é dotada de outros signos, e é herdeira de outra tradição.

Nada temos com a tradição britânica, mas com a ibérica.

Precisamos ler mais José Galvão de Sousa. Precisamos de mais Nelson Rodrigues, de mais Olavo de Carvalho, de mais Mário Ferreira dos Santos, e de menos estrangeirismos mentais, se quisermos entender alguma coisa do Brasil.

Falta sensibilidade sociológica e antropológica aos nossos scholars.

Não é por acaso que nossos intelectuais não sabem lidar com a dimensão notavelmente irreverente do brasileiro, manifestada até mesmo na sua militância política.

Não é por acaso que ao exibir suas gravatas borboletas, não saibam lidar com o deboche de seus compatriotas diante de um dado semiótico de inadequação cultural.

E não há cultura livresca que possa remediar a alienação de quem usa antolhos para ignorar a realidade ao seu redor e enxergar apenas o Palácio de Buckingham.

O típico “intelectual conservador” brasileiro ignora a identidade, a história e a memória social do povo brasileiro, ficando refém de uma montanha de ideias disparadas por autores ingleses sobre o que é o conservador e o que é o conservadorismo.

É claro que Roger Scruton, Michael Oakeshott, John Gray, entre outros, sempre advertiam que as tradições vivas e fundantes de uma sociedade não podem ser substituídas por ideais e ideias (por mais nobres que sejam) desligadas do seu contexto.

Ou, como diria John Gray, o conservadorismo pode ter princípios universais, mas as respostas para os problemas variam de acordo com cada sociedade e cultura.

Nossos “intelectuais conservadores” ignoram tudo isso e, como scholars que são, medem qualquer manifestação possível de conservadorismo desde os seus gabinetes abafados, medindo tudo pela concepção de conservadores que jamais pisaram nesta terra.

Tenho enorme admiração por Michael Oakeshott. Mas sei que Oakeshott não ressurgirá tocando tambores com o Olodum, em Salvador. E nem Edmund Burke reencarnará em Guaianazes, xingando a santa mãe do juiz nas arquibancadas do Itaquerão.

Ou o conservadorismo é uma força viva que existe para além da academia ou é um case que alimenta a carreira acadêmica de meia dúzia de scholars. 

É preciso dialogar com a nossa identidade. É impossível falar sobre a formação do Estado brasileiro, por exemplo, sem levar em conta a nossa tradição ibérica, nossas relações de compadrio, nossa qualidade cordial conforme entendida por Sérgio Buarque de Holanda.

Isso não pode ser feito por um tipo intelectual que vive confinado em clubinhos, que não dialoga com a cultura e a identidade brasileira, e que promove um conservadorismo impalpável, desligado das nossas tradições, intangível e que serve apenas de case para scholars desinteressados e impossibilitados de entender quem são os brasileiros.

Não por acaso, o único pensador brasileiro que conseguiu ultrapassar todas as barreiras do mundinho intelectual para falar diretamente ao coração de incontáveis brasileiros é o professor Olavo de Carvalho.

Olavo sabiamente compreendeu que só pode haver conservadorismo aqui se este dialogar com as dimensões sociológicas e antropológicas do povo brasileiro.

Para encerrar, devo dizer que meu artigo teve como alvo certo tipo de intelectual, mas foi recebido – maliciosamente, devo acrescentar – como um manifesto anti-intelectual da direita semiletrada que grita e baba na gravata.

Ora, condenar a afetação e a irrelevância de certo intelectual não é o mesmo que condenar a vida intelectual, da mesma maneira que condenar o pedantismo não equivale a condenar a inteligência.

O que irritou profundamente meus detratores é o fato de que eles tiveram sua irrelevância (cultural) e sua alienação (sociológica) expostas, de tal maneira que não conseguiram ignorar minha crítica.

Inábeis para respondê-la, sobrou a eles falar da gravata borboleta.

 

Conservadores-de-gravatinha-borboleta desprezam o conservadorismo do populacho

 

Bem, amigos, 2018 mal começou e já vemos, com suas expressões de nojinho, os conservadores-de-gravatinha-borboleta espraiando nas páginas da grande mídia uma espécie de entreguismo acadêmico sofisticado sobre as eleições de 2018.

Tudo porque, obviedade das obviedades, no País que foi dominado pela esquerda décadas a fio, não foi possível criar, da noite para o dia, a estrutura institucional (partidos, entidades, espaço na academia) que a esquerda tem de sobra.

Não, não temos partidos conservadores. Não, não temos uma quantidade suficiente de conservadores com viabilidade eleitoral para nos representar no Congresso.

Porém, pela primeira vez, talvez desde Carlos Lacerda, temos um pré-candidato à Presidência que não tem medo de assumir, integralmente, a pauta conservadora.

E este fato histórico extraordinário vai pautar todo o debate político nacional, gostem ou não os nossos entreguistas sofisticados de plantão – sempre prontos a jogar água gelada na cara de quem chegou aqui com alguma esperança.

Se temos um pré-candidato à Presidência assustando o establishment, à esquerda e à direita, isso se deve à força que ele conquistou junto ao povo brasileiro.

Ignorar a viabilidade de tal pré-candidato significa, inexoravelmente, desprezar a força popular que agrega tanto peso e chama tanta atenção ao seu nome. É um desprezo calculado contra um tipo de conservadorismo que emerge das arquibancadas.

Os conservadores-de-gravatinha-borboleta não se reconhecem e desprezam o conservadorismo não-sofisticado, que não foi gestado em encontros de clubes conservadores que mais parecem reuniões do Rotary Clube.

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O conservadorismo deve ser britânico, anglicano, fleumático, fumar charuto e usar gravatinha-borboleta

Acontece que, para quem entende que o conservadorismo britânico é o modelo universal máximo de conservadorismo, esse negócio de populacho empurrando a pauta conservadora soa como uma heresia (mais abaixo).

Só quero lembrar que quase na mesma época, no ano passado, conservadores-de-gravatinha-borboleta americanos – como o conservador hipster Andrew Sullivan – estavam perguntando se alguém viu a placa do caminhão que atropelou tanto democratas quanto “conservatives” que tinham nojinho do povo e de Trump.

Da mesma maneira, temos hoje no Brasil um pelotão dos conservadores de gabinete, tristes porque não são súditos da Rainha da Inglaterra, que morrem de nojo do povo, da arquibancada, da geral, e não querem “se juntar com a gentalha”.

Os conservadores-de-gravatinha-borboleta vivem de um conservadorismo acadêmico insosso que raramente vaza para além dos seus clubinhos elitistas.

E, por isso, estão horrorizados com este “conservadorismo do populacho” que jamais passou por eles e deles não têm nenhuma contribuição.

Sofisticados e elegantes, os nossos conservadores-de-gravatinha-borboleta sentem certo desprezo pelo conservadorismo escrachado, abusado, ou, para usar uma recente fala de Zuenir Ventura, “despudorado”, que emerge hoje no Brasil.

Não gostamos de cerveja quente

Outro equívoco recorrente dos conservadores-de-gravatinha-borboleta é o discurso batido de que “não temos conservadores” – “de verdade”, “genuínos”, “puro-sangue” – para nos representar ou servir como referências no Brasil.

Eles cometem o erro fatal de tomar a tradição britânica de conservadorismo como um modelo universal de conservadorismo e, por isso, nunca reconhecem as referências conservadores que emergem no Brasil como legitimamente conservadoras.

Caros conservadores-de-gravatinha-borboleta, saibam que:

Nós, brasileiros, descendentes da tradição ibérica, não gostamos de cerveja quente, não somos súditos da Rainha, não somos anglicanos e nem estoicos.

Somos católicos, socialmente expansivos, dados a superstições, cordiais (no sentido que Sérgio Buarque de Hollanda dizia, ou seja,  sociáveis como modo de defesa).

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Milorde, sinto informar, mas aqui não somos súditos da Rainha e nem gostamos de cerveja quente e, na verdade, não é Sir José, mas Seu Zé

É um erro imenso ignorar a tradição ibérica, que forja nossa herança e identidade, e querer nos importar a inglesa. É o erro recorrente que vocês cometem toda a vez que dizem desconhecer qualquer migalha de conservadorismo no Brasil.

Ora, o nosso conservadorismo terá a nossa cara e não o rosto pálido e passivo de um elegante britânico aguardando em silêncio sua estação de metrô.

Russel Kirk e Edmund Burke sabiam que não é possível exportar tradições e valores de uma sociedade para a outra, ignorando a identidade já consolidada que cada sociedade tem, que foi construída ao longo dos tempos e que jamais poderá ser remodelada.

A própria essência do conservadorismo é a negação de modelos universais para qualquer coisa. Os conservadores sabem que as respostas para os problemas humanos variam, é claro, de acordo com cada sociedade!

Da mesma maneira, nossos “conservadores” na política, nos movimentos de rua, na militância organizada, não serão a expressão do inglesismo que conservadores de gabinete veneram, mas das nossas tradições, valores e identidade nacional.

Direita da arquibancada

Somos a direita da arquibancada? Pois é essa direita da arquibancada, dos deploráveis, da galera do fundão, que fez toda a diferença nos EUA e fará toda a diferença aqui.

O populacho, a chusma, os gentios, a gentalha.

Aquela massa de carne e osso, que existe para além das redes sociais, e que faz realmente diferença no jogo político. Não os membros de clubinhos cujas análises sofisticadas não têm a repercussão de uma piada ou meme da direita escrachada.

Somos os deploráveis, somos a direita da arquibancada, somos os caras da geral, e vamos tomar tudo. As gravatinhas borboleta que fiquem chorando em Oxford.

 

O Messianismo dos Anti-Bolsonaro

Em “The Politics of Faith and The Politics of Scepticism”, o filósofo britânico conservador Michael Oakeshott (1901-1990) identificou duas vertentes ocupando o debate político moderno: de um lado, a política de fé. Do outro, a política do ceticismo.

Em poucas palavras, Oakeshott entendia que a política de fé se baseia em um racionalismo raso que promete soluções universais em pacotes ideológicos nos quais existem respostas para tudo. A fé, aqui, não tem conexão com a religião; é a fé na Razão, a deusa da modernidade. A política de fé é a dos ideólogos, dos racionalistas delirantes.

Por outro lado, a política de ceticismo é aquela na qual existem soluções provisórias, circunstâncias e possíveis à administração civil. Mas não há respostas universais aos problemas modernos, aliás, nem todos os problemas são solúveis. A política de ceticismo é a dos conservadores que se contentam com o mundo possível ao mundo ideal.

Os liberais apressados da terrinha podem se esforçar para tentar empurrar o presidenciável Jair Bolsonaro e seus seguidores para o campo da política de fé. Bolsonaro é um nome contra o establishment, livre dos partidos, desembaraçado de obrigações para com empresários que dependem do BNDES e dos políticos na mira da Lava Jato.

Os brasileiros notaram o fato e, por isso, Bolsonaro tem arrastado multidões por onde passa, representando hoje um fenômeno popular que enraivece defensores do establishment espraiados por todos os lados do espectro político, da esquerda à direita.

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Michael Oakeshott foi soldado na 2ª Guerra Mundial. Isso assustaria alguns “conservadores de lastro” por aqui

Ocorre que o próprio Bolsonaro já declarou, incontáveis vezes, que não é um “messias”, que não tem o poder de “consertar o Brasil” e que não carrega soluções mágicas no bolso para todos os nossos problemas atuais, sejam eles econômicos ou socioculturais.

Arrogância liberal x estoicismo conservador

Os liberais, ironicamente, enxergaram nesse ceticismo político saudável de Bolsonaro uma fraqueza indesculpável. Eles não perdoam o fato de que ele não é expert em economia com soluções mágicas para a crise que enfrentamos.

E perdoam menos ainda que Bolsonaro, de maneira humilde e sensata, confesse publicamente que não é o messias, quer dizer, o especialista que os liberais estão esperando surgir em um cavalo branco com as soluções universais mágicas com as quais os racionalistas sonham.

Jair afirmou que seu papel será o de estabelecer diretrizes, formar uma equipe competente e delegar. Nenhuma mágica, mas apenas o uso do bom senso na avaliação de cada situação.

Isso, contudo, não é o bastante para os nossos liberais que, herdeiros do racionalismo iluminista e partidários da política de fé descrita por Oakeshott, esperam sempre por pacotes fechados com soluções mágicas universais para tudo.

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Os liberais não se contentam com o bom senso e o estoicismo de Jair Bolsonaro, e querem linchá-lo por isso

Nossos liberais rejeitam a postura estoica de Bolsonaro, que fala apenas em soluções circunstanciais e provisórias. Como ensinou o filósofo britânico, o racionalista exige uma solução racional para todo e qualquer problema.

O racionalista rejeita o que seria o melhor dadas as circunstâncias, ele exige apenas o melhor em termos absolutos. O racionalista pensa saber, com certeza dogmática, a “direção com a qual o mundo está se movendo”. E quer um pacote ideológico que leve a essa direção.

O Messias liberal

Nossos liberais nunca se cansam de brandir seu puritanismo ideológico. E, desta forma, crucificam Jair Bolsonaro por conta de opiniões políticas equivocadas – quem nunca as teve? –que ele manifestou em um passado já um tanto longínquo.

O terror da esquerda americana, Donald Trump, apoiou Democratas por vinte anos pouco antes de perceber que eram eles, os democratas, o problema. O seu rompimento com a esquerda foi autêntico e teve consequências de proporções globais, como se sabe.

Assim como é autêntico o rompimento de Bolsonaro com figuras que pareciam representar uma alternativa ao establishment.

Os liberais, contudo, de forma consciente ou não, preferem opções fabricadas, criadas nos departamentos de marketing de partidos que integram o establishment, que trazem uma embalagem de novidade para entregar o de sempre.

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As claques liberais aguardam o Messias, o especialista, o libertador, o nome santo ungido pelo mercado

Os liberais preferem apoiar um opositor fabricado, criado por marqueteiros, que teatralizará algo de novo e recebera aval das esquerdas, incluindo o PSDB, porque salvará o establishment.

Para os liberais, importa mais a aparência da coisa do que a coisa em si.

Foi o caso de Doria, poderia ser o caso de Luciano Huck e talvez agora seja o caso de João Amoêdo. São todos impecáveis porque são fabricados. São figuras de grupos, de partidos, e contam com a simpatia dos liberais que esperam por um messias.

São eles, os liberais, que estão rejeitando Bolsonaro em nome de alternativas fabricadas que refletem a obsessão racionalista com o melhor absoluto e a rejeição ao melhor “dadas as circunstâncias”. Os liberais são os fanáticos de seita messiânica por aqui.

Os liberais preferem aquilo que parece se aproximar da perfeição ao que é imperfeito, mas autêntico e com real legitimidade popular. São os racionalistas, puritanos, gladiadores da ideologia, que buscam um líder messiânico e ungido pelo mercado.

Por que devemos calar o Aiatolá?

O sábio liberal Karl Popper (1902-1994) – austríaco que testemunhou de perto os males do totalitarismo – deixou aos defensores da liberdade uma lição valiosíssima, que ficou conhecida como “Paradoxo da Tolerância”.

Popper ensinou que se formos de uma tolerância desmedida para com todos, paradoxalmente, estaremos sabotando nossos próprios esforços em manter o Ocidente livre e tolerante.

Porque a tolerância ilimitada permitirá (e, na verdade, incentivará) o florescimento descontrolado dos intolerantes. E os intolerantes, por sua vez, erradicarão os tolerantes e, com eles, a própria tolerância.

“Devemos, portanto, em nome da tolerância, reivindicar o direito de não tolerar os intolerantes”, advogou Popper. O alerta foi dado em 1945, ano da publicação da sua obra magistral: “A Sociedade Aberta e Seus Inimigos”.

Hoje a Europa é a realização da profecia de Popper: ameaçada pelos bárbaros intramuros do fascismo islâmico que se aproveitaram das portas abertas e da permissão para manter a Sharia em seus guetos intocáveis.

PORQUE DEVEMOS CALAR O AIATOLÁ

São Paulo recebeu ontem o Aiatolá Mohsen Araki, que tem fortes e conhecidas ligações com o Hezbollah, organização terrorista que prega a destruição do Estado de Israel.

O Aiatolá é um antissemita sujo que tenta camuflar seu antissemitismo com um discurso falso de luta pelos direitos dos palestinos. Ele não se importa com os palestinos! Ele os usa para pregar o ódio contra os judeus e Israel.

Além disso, de acordo com o jornalista Claudio Tognolli, Mohsen Araki está ligado a atentados contra alvos judaicos no início dos anos 90, na Argentina:

Araki está conectado, segundo a PF, aos atentados na Argentina contra a embaixada de Israel – ocorrido em 1992 e que deixou 29 mortos – e a associação judia AMIA – de 1994, com 85 mortos – que continuam sem esclarecimento.

Os dois ataques ocorridos em Buenos Aires contra a comunidade judia, a maior da América Latina, e registrados durante o mandato do presidente Carlos Menem (1989-1999), ressurgiram na mídia com o assassinato do promotor encarregado, Alberto Nisman.

Esse rato sujo do antissemitismo entrou em nosso País sem nenhuma restrição e agora está aqui em São Paulo, à convite do Centro Islâmico no Brasil, para irradiar seu discurso de ódio sem nenhum receio.

Pois o Aiatolá deve ser IMPEDIDO de falar. Se não pelos meios legais, que parecem ter falhado, por meio de atos de desobediência civil daqueles que sabem os riscos que estamos correndo ao abrir tal precedente.

Como bem escreveu Claudia Wild, “a visita da pústula em questão será monitorada pela Polícia Federal a pedido do Ministério da Justiça, depois dos mais variados protestos”.

E mais:

“Entretanto, esta figura nefasta não deveria ser aceita nem para colocar os pés no país. Se observarem o disposto na lei de Segurança Nacional, esta seria a atitude do governo; impedir sua entrada no território nacional.”

O velho Popper sempre esteve certo. Agora o Brasil será cada vez mais submetido ao teste no qual a Europa tragicamente fracassou, resultando em ondas de mortes e terror.

Os intolerantes não podem ser tolerados ou bem vindos!

 

Retomando!

Este é o resumo do post.

Caros, estou retomando a produção de artigos neste endereço eletrônico. Em razão de compromissos profissionais, fiquei um longo período sem tempo para escrever.

E me fez falta.

Alguns amigos, gentilmente, também manifestaram o desejo de ler novos artigos de minha autoria. Pois bem, é hora da retomada. E com o compromisso de manter certa regularidade, apesar das questões profissionais

Nem preciso dizer que vou falar preferencialmente sobre política, embora possa também escrever sobre literatura, filosofia e cultura. Ou qualquer outro tema interessante…